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FID-BECK - ROLLINGONTHEFLOORLAUGHING

Prá especulação, desinformação e erros ortográficos tó-ká eu!

FID-BECK - ROLLINGONTHEFLOORLAUGHING

Prá especulação, desinformação e erros ortográficos tó-ká eu!

Por John Martin

Tradução de Aral Sevla

 

Eles vieram como escravos: uma vasta carga humana transportada em navios britânicos com destino para as Américas. Eles eram enviados às centenas de milhares e incluíam homens, mulheres e até mesmo as mais jovens das crianças.

Sempre que se revoltassem ou até mesmo, se apenas desobedecessem à uma ordem, eram punidos das piores formas.Os proprietários de escravos penduraravam a sua propriedade humana com as suas próprias mãos e lançavam as suas mãos ou pés para as chamas como uma forma de punição. Eles eram queimados vivos e as suas cabeças eram colocadas em piques no mercado como um aviso para todos os outros cativos.

Nós realmente não precisamos de passar por todos os detalhes, não é? Nós sabemos muito bem das atrocidades cometidas durante o comércio de escravos Africanos.

Mas estamos nós falando sobre a escravatura Africana? Os Reis James II e Charles I também lideraram um esforço contínuo para escravizar os irlandeses. O famoso britânico Oliver Cromwell promoveu esta prática desumana contra os seus vizinhos da porta do lado.

O comércio de escravos irlandeses começou quando James II vendeu 30.000 prisioneiros irlandeses como escravos para o Novo Mundo. A sua proclamação no ano 1625, requeria que era necessário o envio de presos políticos irlandeses para  serem despachados para o exterior e vendidos aos colonos ingleses nas Índias Ocidentais. Por meados dos anos 1600, os irlandeses foram os principais escravos vendidos para a Antígua e Montserrat. Naquela época, 70% da população total de Montserrat era composta por escravos irlandeses.

A Irlanda tornou-se rapidamente na maior fonte de gado humano para os comerciantes ingleses. Inicialmente, a maioria dos escravos despachados para o Novo Mundo eram realmente brancos.

De 1641 à 1652, mais de 500.000 irlandeses foram mortos pelo Ingleses e outros 300.000 foram vendidos como escravos. A população da Irlanda caiu de cerca de 1.500.000 para 600.000 durante uma única década. Famílias inteiras foram completamente destroçadas porque os britânicos não permitiam que os pais irlandeses levassem as suas mulheres e filhos com eles através do Atlântico. Isso criou uma população indefesa de mulheres e crianças vulneráveis e sem tectos sobre as suas cabeças. A solução encontrada pela Grã-Bretanha foi a de leiloá-los também.

Durante a década de 1650, mais de 100.000 crianças irlandesas entre as idades de 10 e 14 foram tiradas dos seus pais e vendidas como escravos nas Índias Ocidentais, Virgínia e Nova Inglaterra. Nesta década, 52.000 irlandeses, (na sua maioria mulheres e crianças) foram vendidos para Barbados e Virgínia. Outros 30.000 homens e mulheres irlandeses também foram transportados e vendidos aos melhores compradores. Em 1656, Cromwell ordenou que 2.000 crianças irlandesas fossem enviadas  para a Jamaica e vendidas como escravos para os colonos ingleses.

Muitas pessoas hoje tentam evitar de chamar aos escravos irlandeses aquilo que eles realmente eram: Escravos! Eles tentam aplicar termos como "servos contratados" para descrever o que ocorreu com a Irlanda. No entanto, na maioria dos casos, entre os séculos 17 e 18, os escravos irlandeses eram nada mais do que gado humano.

Como exemplo, o comércio de escravos Africanos estava apenas começando durante este mesmo período. Está bem registado que os escravos africanos sem estarem contaminados com a mancha odiada da teologia católica, eram  mais caros para comprar, sendo muitas vezes muito melhor tratados do que os seus homólogos irlandeses.

Os escravos africanos eram muito caros durante o final de 1600 (50 Sterling). Enquanto que os escravos irlandeses eram mais baratos, (não mais do que 5 Sterling). Se um plantador  chicoteasse, abusasse ou batesse um escravo irlandês até à morte, aquilo nunca era considerado um crime. Embora a morte fosse um revés monetário, era contudo muito mais barato do que matar um Africano mais caro. Os mestres ingleses rapidamente começaram a engravidar as mulheres irlandesas, tanto para o seu próprio prazer pessoal, assim também como para fins lucrativos. Os filhos de escravos tornavam-se eles próprios escravos, o que aumentava o tamanho da força de trabalho livre do mestre. Mesmo que uma mulher irlandesa, se de alguma forma conseguisse obter a sua liberdade, os seus filhos permaneciam como escravos do seu mestre. Assim sendo, as mães irlandesas, mesmo com essa nova emancipação encontrada, raramente abandonavam os seus filhos, permanecendo em constante servidão.

Atingiu-se à um ponto em que os Ingleses pensaram  numa melhor forma para usarem essas mulheres, (em muitos casos, meninas de 12 anos) para aumentarem a sua quota de mercado. Os colonos começaram a acasalar as mulheres e meninas irlandesas com homens africanos para produzirem escravos com uma aparência distinta . Esses novos escravos "mulatos" trouxeram um preço mais elevado do que o gado irlandês e de igual modo, permitiu que os colonos poupassem dinheiro em vez de comprarem novos escravos africanos. Esta prática de cruzamento de fêmeas irlandesas com homens africanos continuou por várias décadas e era tão difundida que, em 1681 foi aprovada uma legislação "proibindo a prática de acasalamento das mulheres escravas irlandesas com homens escravos africanos, com o propósito de produzir escravos para a venda." Resumindo, tudo aquilo acabou apenas porque, o negócio interferia com os lucros de uma empresa de grande porte de transporte de escravos.

A Inglaterra continuou a enviar dezenas de milhares de escravos irlandeses por mais de um século. Há registos que demonstram que após a rebelião de 1798 na Irlanda, milhares de escravos irlandeses foram vendidos para a América e para a Austrália. Houve abusos horríveis sobre cativos africanos e irlandeses. Um navio britânico livrou-se de 1.302 escravos atirando-os para o Oceano Atlântico, de modo que a tripulação pudesse ter o bastante para comer.

Há poucas dúvidas de que os irlandeses experimentaram os horrores da escravidão tanto (se não mais no século 17), como os africanos enfrentaram. Existem também muito poucas dúvidas de que os marrons, rostos bronzeados que presenciamos nas viagens pelas Índias Ocidentais são muito provavelmente uma combinação de ascendência Africana e Irlandesa. Em 1839, a Grã-Bretanha finalmente decidiu por si própria em terminar a sua participação na caminhada de Satanás para o inferno e parou de transportar escravos. Enquanto que a decisão não impediu que os piratas fizessem o que desejavam, a nova lei lentamente concluiu este pesadelo no capítulo da miséria irlandesa.

Mas se alguém, branco ou negro, acredita que a escravidão tivesse sido apenas uma experiência Africana, então eles estão completamente enganados.

A escravidão irlandesa é um assunto que vale a pena lembrar, não apagá-la das nossas memórias.

Mas aonde é que estão as nossas escolas  públicas (e privadas)?? Aonde é que estão os livros de história? Por que é que isto é tão pouco discutido?

Será que as memórias de centenas de milhares de vítimas irlandesas não merecem mais do que apenas uma menção de um escritor desconhecido?

Ou será que a sua história terá que ser aquela que os piratas ingleses intencionaram : Para (ao contrário do livro Africano) terem a história irlandesa total e completamente apagada como se nunca tivesse acontecido.

Nenhuma das vítimas irlandesas durante todos aqueles tempos regressou à sua terra natal para poder descrever os seus desafios.. Estes são os escravos perdidos, aqueles que o tempo com os seus livros de histórias tendenciosas  convenientemente esqueceram.

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